Uma breve conversa com Manel Rosa: O físico literário

 

Manel Rosa Martins. Foto  -reprodução

Manel Rosa Martins. Foto -reprodução

 

Manel Rosa Martins é, o mais novo Sócio de Honra da   Graviton Scientific Society , pós-graduado em Economia e Gestão de Ciências pelo Chartered Institute of Linguists. Pós-graduado em Economia e Gestão, e em Ciência Computacional na The Open University, no Reino Unido. É doutorando de Física de Partículas  dedica-se à abordagem da Mecânica Digital. De personalidade forte e habilidade surpreendente em consciliar a literatura à física além do bom humor, Manel Rosa concedeu uma pequena entrevista aos colaboradores do GSS. Confira!

 1) Para início preciso que me fale um pouco sobre você – mais precisamente sobre seu trabalho – sua formação acadêmica, suas pós graduações (em que elas contribuirão à sua carreira?), já concluiu seu doutorado em Física de Particulas ( com abordagem em Mecânica Digital)? Comente um pouco sobre o assunto.

Falar de mim não sei o que possa ter de interessante, sou um conjunto de átomos reunidos em moléculas, uma mistura de implosões e de explosões de estrelas enormes e doutras mais singelas.

No astropt.org, eleito o blogue do ano em Ciências em Portugal, digo que pratico uma modalidade de desporto sem nome, que é a de nadar à noite em pleno oceano, para poder ver o fitoplâncton em bioluminescência a iluminar por debaixo e as estrelas a iluminar por cima.

Mete um medo aterrador, de noite no oceano, só se pensa nas parvoíces dos filmes de hollywood, com monstros devoradores e com mau feitio, mas depois reconhecer as constelações familiares faz-me esquecer o medo, e tenho que ser tirado da água porque passado o choque do medo sinto-me bem e já não quero sair.

O meu melhor são 4.100 metros de profundidade de água salgada por debaixo e 13.82 mil milhões, ou bilhões, como dizem no Brasil, (se se usar Giga-anos todos se entendem), de Universo por cima.

Está a entender-me, água, ar e espaços entre as estrelas, fico muito curioso para saber quantas fases da matéria terá o Universo. E fico espantado com o facto de estar a olhar para o passado quando olho as estrelas, olho o passado e avanço no futuro.

Estava um pouco perturbado com isso, é muito anti-intuitivo. Felizmente li há pouco tempo um paper de mecânica quântica que admite este estado de sobreposição do tempo, para trás e para a frente em simultâneo, senão logo explicável duma forma simples, pelo menos presente numa 4ª camada da cebola matemática que esses teóricos cinzelaram. É um trabalho muito interessante do Bryan W. Roberts, da LSE em Londres sobre como se processa a observação de objectos em função do tempo, isto em sistemas dinâmicos.

Ele partiu dum trabalho de geometria dum matemático seu colega que o tinha apresentado em Zurique, na Sociedade Europeia de Matemática.

Ora se o Universo está presente em tudo nas nossas vidas, ele reflete-se quando olhamos para um relógio. Ele sim, nós é que atribuímos, parece, pouco tempo para essas reflexões.

Por exemplo não fazemos a mínima ideia porque nos dá a matemática estes textos universais, com relógios incluídos em formas geométricas. Porque é a matemática e não uma outra ação humana, como a arte ou a ficção? Não sei, por isso interessa-me, e muito.

Olhe se temos 13.82 Giga-anos de Universo falo da sua idade, do que poderemos observar para trás, mas sabemos que o Universo é bem maior do que a sua idade. Entra a inflação nessas contas. E entra uma expansão do espaço mais rápida do que a luz.

Pode entender agora porque não queria voltar para o barco?

Como você conheceu o Graviton Scientific Society (GSS) ?

A Gráviton Scientific Society está hoje institucionalizada com a aprovação dos seus Estatutos, e tem desenvolvido todo o conceito de Divulgação e Educação Científicas que são oficialmente subscritas e encorajadas pelo IOP – Institute of Physics, do Reino Unido, de que sou membro. Quando o Ramon Abreu e o Edwardo Montenegro me mencionaram o ainda Projeto Gráviton, eu senti desde o primeiro elenco de objetivos que eles traçaram que tudo batia certo. O Gilson Silva também esteve na génese do Projeto.

Vi logo muito entusiasmo, mas temperado no que é possível executar na realidade, muita noção da importância da Astronomia, da Astrofísica e a da Física de Partículas no Ensino, em todos os níveis do Ensino. Para ser sincero eu adorei isso de “todos os níveis.” Eu advogo que até a Mecânica Quântica seja ensinada desde a infância, com recurso a jogos, pequenos vídeos e tiras de BD.

Dou Palestras a crianças de 6 anos de Idade, são super-interessadas, tudo que tem que se adaptar são os nomes das galáxias, galáxia da pipoca, galáxia floco de neve, um rapaz até sugeriu galáxia dos tubarões.

Conhecemos-nos virtualmente nas redes sociais e na blogo-esfera da Divulgação das Ciências, eles são há muito seguidores de páginas como o AstroPt e de grupos dedicados à Física. Algumas Professoras de Física do Brasil, onde destaco a Professora Cibelle Sidney facilitaram as apresentações, sobretudo quando colocavam questões de Cosmologia ou dos Bósons, como o fotão da luz ou do Higgs do mecanismo da Massa.

Como você qualifica sua experiência no Conexão Cósmica I ?

 Eles desfiaram-me para dar uma Palestra numa das primeiras grandes iniciativas do Projeto Gráviton, a Conexão Cósmica,e tudo correu muito bem desde os primeiros ensaios, a escolha dos tópicos, até afinámos o modo mais correto de eu falar, que tinha que ser mais devagar, sou muito entusiasmado e teria que ser mais sereno para as pessoas entenderem o meu sotaque europeu, eu achei isso muito bom, eles me ensinarem isso, como linguista fiquei fascinado.

Quais suas expectativas em relação ao GSS?
Foi e está a ser um experiência incrível a Graviton Sientific Society. Tive um feed-back muito engraçado dessa Palestra, e depois participei noutro Projeto, a da Cartilha do Sistema Solar, e tive muito empenho e, confesso, um um enorme prazer em contribuir com a parte do Ganímedes, um deus-rapaz da mitologia grega que deu o seu nome a uma Lua de Júpiter, uma que tem um oceano de água salgada no seu interior, talvez haja lá vida microbial.

Seria fantástico que os estudantes que leiam essa cartilha um dia escolham ser Cientistas.

São essas as minhas expectativas, alguém que eu não conheço, um dia, fica entusiasmado ou entusiasmada com o que viu graças à GSS, por exemplo numa sessão de astronomia possibilitada pelos novos aparelhos que a GSS adquiriu e se torne uma pessoa melhor, mais rica de conhecimento, por causa disso.

Sabe, ficaria mesmo inteiramente realizado se isso suceder.

Um abraço de amizade e de admiração para todos aí.

Manel Rosa Martins
Físico de Partículas.

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