À procura do cometa Neowise no céu de Teresina

Uma equipe da Graviton Scientific Society consegue observar com exito o cometa Neowise em 22/07/2020.

CONSTRUÇÃO DA CIÊNCIA A PARTIR DE OBSERVAÇÕES CUIDADOSAS

Contemplar a natureza sempre é um evento ímpar. Presenciar as leis da Física em ação nos faz agradecer o trabalho de pensadores e cientistas ao longo dos séculos.

Aristarco de Samos, astrônomo e matemático grego, por volta do século III a. C., conseguiu determinar o tamanho da Lua a partir da sombra da Terra na Lua, durante um eclipse lunar.

Os físicos Gilson Silva e Francisco Peixoto durante a observação do cometa Neowise. Créditos: Graviton Scientific Society

Tycho Brahe, astrônomo dinamarquês, construiu o melhor observatório da era pré-telescópica e fez diversas observações astronômicas anotando dados em tabelas. Dados estes extremamente precisos para observações sem qualquer instrumento óptico.

Johanes Kepler, matemático alemão, contemporâneo de Tycho Brahe, com uma habilidade matemática fora do comum e a partir das tabelas de Tycho Brahe consegue deduzirt as leis dos movimentos planetários, hoje conhecidas como as Leis de Kepler. Estes são alguns exemplos de como a Ciência é construída ao longo dos séculos.

EQUIPE DA GSS CONSEGUE OBSERVAR O COMETA NEOWISE

Realizamos a observação na tarde do dia 22 de julho. Iniciamos a montagem do telescópio as 17h: 30 min. Em uma região aberta do aeroporto internacional de Teresina sobre prévia autorização da direção do referido aeroporto e seguindo todas as recomendações das autoridades sanitárias e da Organização Mundial De Saúde no que diz respeito à pandemia da Covid 19.


Os físicos Francisco Peixoto e Edward Montenegro durante a observação do cometa Neowise. Créditos: Graviton Scientific Society

Com o propósito de evitar aglomerações, apenas três integrantes de nossa equipe estiveram presentes nesta observação, todos utilizando máscaras e respeitando o distanciamento social e com o telescópio adequadamente higienizado.

No geral tratou-se de uma atividade das mais desafiadoras que temos notícia. A região da cidade de Teresina, nesta época do ano, não dispõe de um céu propício para observação em virtude de queimadas muito frequentes. Tentamos sem sucesso até as 19 horas, algumas nuvens bloqueavam parte da região do céu no qual o cometa estaria passando. Ainda outro fator nos atrapalhou nesta observação foi o fato de o cometa está passando quase que na linha do horizonte e após o horário das 19 horas as luzes da cidade atrapalhavam nossa observação.

Foto do cometa Neowise. A foto foi feita com um Smartphone a partir da ocular de um telescópio de 90 mm
Créditos: Graviton Scientific Society

Mas compreendemos que atividades científicas de fato tem suas características e dificuldades inerentes, que de certa forma estamos acostumados a lidar. Nossa intenção seria conseguir fotos do cometa a partir da lente ocular do telescópio refrator de 90 milímetros de abertura a partir da câmera de um telefone celular de um de nossos integrantes.

Para nossa felicidade conseguimos visualizar o referido cometa por volta das 19:15. No entanto, por seu fraco brilho e por conta da poluição luminosa não conseguimos tirar a foto que desejávamos. Nós até conseguimos uma foto, mas esta não ficou nítida. No entanto, nossa equipe (Gráviton Scientific Society) não desiste assim tão fácil, continuaremos à caça do cometa nos próximos dias, mesmo sabendo que a cada dia a sua visualização ficará cada vez mais difícil, pois o cometa já está em seu caminho de volta, portanto afastando-se cada vez mais do Sol. Continuaremos tentando até o dia 30 de Julho, que é a previsão de visualização do cometa a partir de nosso planeta.

Francisco Peixoto, membro da Gráviton Scientific Society desde sua fundação no ano de 2014 relata acerca da observação do cometa N:

“A Lua estava com muito boa visibilidade e seguindo orientações repassadas pelos outros membros da GSS, após uma certa insistência… Edward (com sua habilidade admirável) conseguiu visualizar, confirmamos eu e Gilson que a imagem correspondia a algo diferente de tudo que já observamos, com cuidado e a configuração certa do celular consegui fotografar. Busquei as fotos que tinha recebido ontem e ao comparar na mesma proporção…. tive certeza que conseguimos, visualizamos e fotografamos o COMETA, desmontamos o esquipamento e ao verificar os comentários de outros que buscavam a observação e fotos, comemoramos nossos esforços foram recompensados!”

A Gráviton Scientific Society compartilha e incentiva trabalhos colaborativos para o progresso da Ciência. Desta forma se constrói o conhecimento científico, tijolinho por tijolinho, geração após geração.

O dia 22 de Julho de 2020 ficará marcado na história de nossa Sociedade Científica pela tentativa, com sucesso, de observar a passagem do cometa Neowise.

Para saber mais detalhes sobre o cometa Neowise leia a matéria produzida em nosso site neste link https://gss1.org/site/?p=1011.

Após estes resultados, finalizamos as observações no horário das 19:40 já ansiosos por futuras observações e ainda aguardando a oportunidade contemplarmos a natureza em seu mais puro esplendor.

REFERÊNCIAS

http://plato.if.usp.br/1-2003/fmt0405d/apostila/helen8/node16.html
https://jornal.usp.br/atualidades/tycho-brahe-revolucionou-a-astronomia-muito-antes-do-telescopio/
https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Historia/noticia/2020/01/quem-foi-johannes-kepler-um-dos-astronomos-mais-importantes-da-historia.html

PASSAGEM DO COMETA NEOWISE

Sempre é bom apreciar as maravilhas do Universo, ainda mais quando são, de certa forma, raras de se ver: um exemplo é o C/2020 F3 (NEOWISE) ou “Cometa Neowise”. Foi descoberto em 27 de março de 2020 pelo telescópio espacial NEOWISE (daí o nome). Trata-se de um objeto de aproximadamente 5 km de diâmetro, viajando a 231.000 km/h, com órbita retrógrada, de longo período (aproximadamente 6.800 anos), e trajetória praticamente parabólica. Para o Brasil, durante os próximos dias, mais especificamente a partir do dia 22 de julho de 2020, estará com boa magnitude e a uma distância aproximada de 103 milhões de km da Terra, podendo ser observado à vista desarmada (“olho nú”, em locais extremamente escuros e sem poluição visual), ou através de instrumentos tipo binóculos, lunetas, telescópios, etc., sempre ao Noroeste, próximo ao pôr do Sol (este último, tão belo quanto a passagem do cometa!!!!!).

Créditos: @NASASOLARSYSTEM

Cabe salientar que, para uma boa observação, é bom ficar atento a algumas dicas, tais como procurar um horizonte limpo, sem obstáculos tipo edificações, ou até mesmo se afastar da cidade, visando o mínimo de poluição visual, e tomando os devidos cuidados com o distanciamento social (afinal de contas, estamos atravessando uma pandemia!!!). Ferramentas computacionais (softwares ou aplicativos) tais como o Skywalk, Starchart ou Stellarium podem ajudar bastante.

Por Jussiê Soares (GSS)